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Van Halen: “A Different Kind of Truth” (tudo o que saiu até agora sobre o álbum)

O novo álbum do Van Halen, “A Different Kind of Truth“, só sai no próximo dia 07 de fevereiro. Apesar do disco ainda não ter vazado por completo na internet, muito do que estará nele já está em vídeos completos ou em “previews” no YouTube.

Reunimos aqui, tudo o que saiu até agora, faixa a faixa (Atualizado 01/02/2012, às 20:30)

01 – Tattoo (completa)

02 – She’s The Woman (Preview: 1:30)

03 – You and Your Blues (Preview: 1:30)

04 – China Town (Completa)

05 – Blood and Fire (Completa)

06 – Bullethead (Preview: 1:30)

07 – As Is (Preview: 1:30)

08 – Honeybabysweetiedoll (Preview: 30s)

09 – The Trouble With Never (Completa)

10 – Outta Space (Preview: 30s)

11 – Stay Frosty (Preview: 1:30)

12 – Big River (Preview: 1:30)

13 – Beats Workin’ (Preview: 1:30)

Bônus: The Downtown Sessions

You Really Got Me (acoustic w/ intro)

Caso tenha informações mais atualizadas, deixe um comentário.

Dados de Produção:
Lançamento internacional: 07/02/2012
Gravado entre novembro de 2010 e outubro de 2011 nos 5150 Studios (Hollywood, Los Angeles, California)
Produção: John Shanks, Ross Hogarth & Van Halen
Banda:

  • Eddie Van Halen - guitarra, backing vocals
  • Alex Van Halen – bateria
  • David Lee Roth - vocais
  • Wolfgang Van Halen - baixo, backing vocals
  • Gravadora: Interscope

    “Tattoo”, novo single do Van Halen: Primeiras Impressões

    A inconstância na personalidade de Eddie Van Halen fez com que os fãs da banda que ele lidera ficassem órfãos de novos sons. Nos últimos quinze anos a banda ficou alternando de vocalista a cada três ou quatro anos. De Sammy Hagar para David Lee Roth, de Roth para Gary Cherone, de Cherone novamente para Hagar e finalmente de Hagar para o novo retorno de David Lee Roth.

    Nesse período foram lançadas duas faixas inéditas com Roth para uma coletânea em 1996, um álbum muito mal-sucedido com Cherone, e mais duas faixas inéditas com Hagar para outra coletânea em 2004. Toda essa instabilidade fez com que esses trabalhos passassem sem uma atenção devida.

    Hoje, depois de quase 14 anos, o Van Halen finalmente lança um single de uma música que fará parte de um disco de inéditas da banda (o último tinha sido “Without You”, em 1998). Antes de ouví-lo a principal pergunta que me fazia era: “será que os irmãos Van Halen irão retomar a carreira de onde pararam ou utilizarão elementos do que faziam quando estavam com David Lee Roth nos vocais, no longínquo ano (e álbum) de 1984?”.

    Imagem

    Quem esperava um remake do que a banda fazia meados dos anos 80, com muitos teclados e berros ensandecidos de Roth, certamente se decepcionou. “Tattoo” está muito mais próximo das faixas feitas com o próprio Roth em 1996 e com Hagar em 2004, e as músicas compostas para “incompreendido” Van Halen III (1998).

    Então quer dizer que “Tattoo” não vale a pena? Não… muito pelo contrário. Acho louvável o esforço da família Van Halen e de Diamond Dave em não parecerem datados. Nada de teclados exagerados, nada de gritinhos sem sentido… O que se nota é a continuidade do que foi deixado pela metade nos anos 90, que trazia a tentativa de uma retomada de algo mais cru – como nos dois primeiros discos de 1978 e 1979 – mas com uma roupagem mais moderna.Aliás, acho um pouco exageradas as críticas feitas na época àqueles trabalhos.

    O single começa com gritos de “Tattoo, Tattoo” seguidos de duas guitarras sujas, cruas e pesadas que se sobrepõem de forma avassaladora. Impossível não se arrepiar, são cerca de 20 segundos que fazem acreditar que virá um grande álbum pela frente. Essa primeira impressão de pé na porta é quebrada pela forma suave com que Roth canta os primeiros versos da canção, acompanhado por um teclado bem discreto e uma guitarra base simples, mas distorcida.

    Logo chega o refrão, introduzido de forma surpreendentemente melódica por Roth para em seguido ser interrompido pelo mesmo “Tattoo, Tattoo” que abre a canção. Essa estrutura se repete até o fim da canção.

    No meio da canção, há ainda um solo típico de Eddie Van Halen. Nada extraordinário, principalmente se tratando de Eddie Van Halen, mas compondo bem a faixa.

    Dois aspectos fazem com que a faixa não se destaque tanto: o primeiro deles é o fato do refrão ser repetido muitas vezes – em especial, os gritos de “Tattoo, Tattoo” -  e o segundo é a ausência dos backing vocals agudos de Mike Anthony. Os vocais de fundo do ex-baixista da banda eram uma marca registrada do Van Halen, e graças a vaidade do guitarrista eles não estarão mais lá. Eles são propriedade do Chickenfoot agora… um pena! Certamente a canção ganharia muito com Anthony.

    Conclusão: “Tattoo” não revolucionará nada. Muitos criticarão, por quererem ouvir algo que não existe mais: o Van Halen dos meados dos anos 80. A minha opinião é de que o single é um sopro de esperança para a carreira da banda. Não será lembrada como um grande trabalho do grupo, mas pode colocá-lo de volta ao mercado, já que soa como algo de fácil acesso, especialmente para as rádios de “classic rock” americanas.

    Espero que o álbum, “A Different Kind of Truth”, que será lançado no próximo dia 07, traga mais qualidade em suas outras faixas. Particularmente, tenho a expectativa de que seja um bom trabalho, com faixas superiores a “Tattoo”.

    Ainda assim, acho o novo single um trabalho digno da grandeza do Van Halen. É bom saber que o grupo não está preso à fórmulas óbvias que certamente os levariam ao ridículo.

    The Who: morre o cineasta Ken Russell, diretor de “Tommy”

    A morte de Ken Russell, cineasta britânico de 84 anos, foi anunciada ontem (28 de novembro) pelo se filho. Russell teve papel importante na história do cinema, por inserir nos seus filmes a linguagem da pop-arte, além de quebrar tabus, abordando a temática da violência de forma explícita e sendo o primeiro cineasta a utilizar o nu frontal masculino em um filme.

    Russell foi indicado ao Oscar de melhor direção, em 1969, por "Mulheres Apaixonadas", seu filme mais aclamado até então. Outro trabalho aclamado do cineasta foi "Vamos com Calma" (1962), filme cujo estilo foi citado algumas vezes por Stanley Kubrick como uma das suas maiores influências.

    O trabalho mais notório de Russell, no entanto, foi a adaptação cinematográfica da ópera-rock "Tommy", composta por Pete Townshend, e lançada nos cinemas em 1975. O musical, inspirado pelo disco de mesmo nome, lançado pelo THE WHO em 1969, contou com a participação de importantes nomes da música como os próprios membros da banda, Eric Clapton, Tina Turner, Elton John, entre outros, além dos renomados atores Oliver Reed e Jack Nicholson.

    Russell foi responsável não só pela direção do filme, mas também para adaptação da ópera para linguagem cinematográfica, redigindo o roteiro junto com Townshend.

    Nenhum dos membros da banda se pronunciou sobre a morte de Russell, mas o site oficial do THE WHO traz a mensagem "R.I.P Ken Russell" (Descanse em paz, Ken Russell), com um link para a notícia da morte do cineasta no site do The Guardian.

    Assista a cena clássica do filme, na qual Tommy (interpretado por Roger Daltrey) derrota o "Pinball Wizard" (Elton John):

    [RESENHA] SWU: Os shows que eu vi nos dias 13 e 14 de novembro

    O MOFODEU esteve no festival SWU, em Paulínia, com o objetivo principal de prestigiar o show do Lynyrd Skynyrd, uma das poucas bandas do evento que estavam dentro do recorte temporal abordado no programa – anos 60 e 70. Mas isso não quer dizer que deixamos de assistir os demais shows dos dias 13 e 14 de novembro.

    Algumas dessas bandas, mesmo não sendo sessentistas ou setentistas merecem todo o nosso respeito e fizemos questão de presenciá-las. E não foi a toa: tivemos a oportunidade de presenciar alguns bons shows e podemos dizer que valeu a pena deixar o Rio de Janeiro para prestigiar o festival.

    Nesse pequeno artigo, faremos uma breve análise dos shows que pudemos assistir. Adiantamos que muitas das opiniões aqui expressas soaram como polêmicas, já que o analista que vos escreve tem muito pouca paciência com certos tipos de grupos que tem muito pouco a mostrar.

    Nesse texto, o foco ficará nas apresentações musicais e, em breve, divulgaremos uma análise da estrutura do festival.

    Vamos às análises:

    Dia 13 de novembro

    Chegamos ao festival no dia 13 com muito atraso, devido às fortes chuvas que assolaram a região de Campinas naquele dia. O nosso voo previsto para chegar à cidade às 15:30 foi atrasado e precisamos ficar no ar por mais de uma hora além do previsto até que as condições climáticas permitissem a aterrisagem.

    Com isso perdemos boa parte dos shows daquele dia, o que nos deixou bastante desapontados. Tínhamos um especial interesse em acompanhar a apresentação da Tedeschi Trucks Band, grupo pelo qual temos bastante simpatia por conta das referências musicais de Derek Trucks, um legítimo sucessor de Duane Allman.

    Chegamos ao evento por volta das 20:30 e não presenciamos os problemas entre os roadies de Peter Gabriel e Ultraje a Rigor, portanto, não entraremos no mérito da questão. Quando chegamos , quem se preparava para entrar no palco era o Duran Duran e, a partir daí, nos esforçamos para tentar prestigiar o maior número de apresentações possível.

    Uma grande surpresa para nós foi o público, que compareceu em pequeno número a esse dia. As pessoas que assistiram aos shows pela TV talvez não tenham tido essa noção, já que a transmissão restringiu as imagens ao público perto do palco. Mas quem caminhou pelo local do evento certamente se decepcionou com a presença do público.

    DURAN DURAN: Nunca admirei o som do grupo, pelo contrário, acho a contribuição deles abaixo de algo que possa ser considerável importante. Para mim, eles conseguiram tornar o new wave dos anos 80 – que para mim é algo perto do intragável – em uma coisa melosa e ainda mais sem graça. Por isso, fazer uma avaliação positiva da apresentação do grupo é algo quase impossível. Mas acredito que para quem curte a música do grupo, o show deve ter agradado. Eles tocaram os hits que infernizaram nossas vidas nos anos 80 e 90 com uma fidelidade rígida às versões originais, mas se isso é bom ou ruim deixo para que o leitor avalie. Mostraram estar em forma e tocando da mesma forma de sempre. Confesso que depois dos primeiros vinte minutos de show, fui procurar outra atração pois aquele som passou a me incomodar. Não porque eles estivessem tocando mal, mas porque, para mim, o som deles não é bom. Pela forma apresentada dou um nota 5.

    HOLE: Para fugir do Duran Duran, me dirigi ao palco New Stage, onde já rolava a apresentação da banda liderada por Courtney Love, outro grupo pelo qual não apresento qualquer simpatia. Confesso que ao chegar próximo ao local da apresentação me surpreendi pela forma de Courtney, que a distância (não havia telão nesse palco), parecia bem. Mas essa impressão logo se foi, quando a vocalista começou a falar com o público, demonstrando total embriaguez (para dizer o mínimo) em sua voz. O pior é que a “embriaguez” se fez notar não só na voz como na postura de Courtney que passou boa parte da apresentação falando com público (leia-se: falando pra caralho). O público pareceu receber bem as músicas mais conhecidas da banda como “Celebrity Skin” e “Violet”, se importando pouco com a forma ridícula como as mesmas eram executadas. Courtney parecia mais preocupada em ficar sacaneando seus companheiros de bandas, chamando-os de viado, do que em tocar com o mínimo de dignidade. O auge do constrangimento se deu quando a vocalista se irritou ao ver uma foto de Kurt Kobain na plateia. Depois disso começou a insultar os membros do Foo Fighters, provavelmente respondendo alguma provação do público. Love se retirou do palco e só voltou por insistência dos companheiros de banda e de uma pessoa da produção que veio ao palco pedir que ninguém mais mencionasse o nome da banda de David Grohl. Um espetáculo patético que, como tal, teve como ponto alto um inusitado cover de “Bad Romance”, de Lady Gaga. Na minha opinião, Courtney Love deveria voltar a se concentrar na sua carreira de atriz, na qual conseguiu fazer sua maior contribuição artística em “O Povo Contra Larry Flynt”. Por isso, pode-se dizer que, com muita boa vontade, o show alcança no máximo uma nota 4.

    PETER GABRIEL: Escaldado pelas duas últimas apresentações, resolvi me focar em assistir de um lugar privilegiado o show do Lynyrd Skynyrd. Para isso, me dirigi ao palco Energia para reservar um bom local. Com isso, assisti o show de Peter Gabriel pelo telão, já que o mesmo se deu no palco Consciência. E acho que acertei! O show do ex-vocalista do Genesis parece mesmo ser feito para ser assistido assim. De preferência em um telão na sua casa, sentado numa confortável poltrona. O novo formato do show de Gabriel, com sua orquestra New Blood, não parece nada apropriado para um lugar aberto, menos ainda para um festival com uma variedade enorme de público. Resultado: a recepção do espetáculo foi a mais fria possível. Boa parte do público passou a apresentação sem dar muita atenção ao que acontecia no palco. Confesso que também tive dificuldade de me concentrar, já que estava ansioso para aquilo terminasse o show seguinte começasse. Peter Gabriel é conhecido pela ousadia em tentar coisas novas, e a apresentação só com versões orquestradas de suas canções não foi diferente. Para deixar o show menos atrativo ainda para o público, o set-list foi recheado de canções nada conhecidas do público brasileiro, que em versões orquestradas pareciam vir de outro planeta. Talvez a única canção um pouco mais familiar tenha sido “Biko”, mas que, ainda assim, não tirou da plateia mais do que alguns frios aplausos. Sem dúvida, aquela apresentação estava no local mais inapropriado possível e, por conta, disso, dou uma nota 6, pelo esforço criativo de Gabriel.

    Lynyrd Skynyrd durante show no palco Energia & Consciência, no segundo dia do festival SWU em Paulínia, em 13/11/2011

    LYNYRD SKYNYRD: Ao circular pelo evento vi centenas de pessoas com camisetas do Skynyrd, bandeira dos Confederado, e paramentados com chapéus e roupas de motociclistas. Isso me deu a certeza de que a única banda daquele dia a trazer um público específico para o festival seriam os sulistas estadunidenses. Por conta disso, sem dúvida foi o Skynyrd a banda a ter a recepção mais calorosa daquele dia, apesar do público presente ser pequeno para um festival daquelas proporções. E acredito que aqueles que passaram o dia esperando por aquela apresentação – entre os quais me incluo – não saíram de lá insatisfeitos. Desde a entrada do grupo, executando “Workin’ for a MCA”, a relação com a plateia foi de total cumplicidade. Em certo momento, eu e meu grande amigo Luiz Felipe Freitas, tomados pelo clima de empolgação do show fomos abordados por uma menina que espantada com aquela reação do público pergunto: “quem está tocando?”. A resposta deixou a menina mais intrigada ainda, com cara de quem nunca havia ouvido falar naquele nome, e incrédula de como aqueles “desconhecidos” podiam causar tamanha comoção dos que ali estavam presentes. Apesar de serem uma lenda da música norte-americana, o Lynyrd Skynyrd é quase inexpressivo para os que só ouvem as novidades. Por conta disso, as pessoas que cercavam aquele palco estavam ali por um real interesse: a música. O grupo se mostrou totalmente revigorado, mesmo tendo apenas um remanescente de suas formações mais conhecidas nos anos 70. Ainda assim, todos que estavam naquele palco fazem jus ao nome da banda que carregam, não deixando nada a desejar ao som feito orginalmente por Ronnie Van Zant, Allen Collins, Steve Gaines e os outros que já não estão entre nós. Johnny Van Zant consegue levar com competência o legado do irmão, juntamente com o fantástico trio de guitarristas Gary Rossington (o sobrevivente), Rickey Medlocke e Mark Matejka. Essa trinca talvez seja o destaque do grupo. Os três conseguem com maestria manter intacta a tradição do grupo, fazendo trabalhos fantásticos de guitarras gêmeas, alterando-as entre os três. Observar o trabalho dos três guitarristas é um show a parte e vale por si só. Mas o vigor da apresentação foi muito além disso: o repertório cheio de clássicos (“I Ain’t The One”, “What’s Your Name”, “That Smell”, “Gimme Three Steps”, “Simple Man”, “Sweet Home Alabama”, “Freebird”, entre outros) deixou o público em êxtase. Os hits foram intercalados por canções do último álbum da banda, “God & Guns” (2009), que também foram bem recebidos, mas que na minha opinião vieram em um número excessivo. É claro que toda banda quer mostrar o seu trabalho recente, mas tratando-se de um grupo que nunca havia tocado no Brasil, em uma apresentação curta, como são normalmente as de festivais, os clássicos deveriam compor quase a totalidade do set, dando espaço também para canções menos conhecidas do período áureo da banda e no máximo duas canções novas. Mas isso não foi um problema, já que o fundamental foi tocado e as músicas recentes não são de todo mal e foram bem recebidas. Mas o meu instinto de fã gostaria de ter ouvido algumas faixas como “Gimme Back My Bullets”, “Seaching”, entre outras de preferência pessoal. Mas infelizmente o show não foi feito só pra mim, e reclamar disso seria um egoísmo. Os pontos altos, na minha opinião, ficaram por conta das baladas clássicas “Simple Man” e Freebird” que emocionaram não só o público, mas também a banda que nitidamente estava impressionada com a recepção e empolgação da plateia. “That Smell” e “What’s Your Name”, logo no começo do show, também fizeram parte da catarse coletiva. Mas nada comparado a execução primorosa do clássico “Sweet Home Alabama”, música pela qual nem tenho muita simpatia por com da demasiada execução – muito clichê –, mas que ao vivo é impossível de não se comover. Sem dúvida a versão que foi executada no festival foi a mais destruidora que já ouvi, com um peso e efeitos diferentes, sendo até difícil explicar o quão bem suou aos ouvidos. Portanto, não há muitos senões a dizer dessa magnífica apresentação, a não ser pelo fato de ter sido curta, por evidentes exigências do festival. Por isso, qualquer nota menor do que um 9, seria uma injustiça enorme.

    Confira o especial sobre o Lynyrd Skynyrd feito pelo MOFODEU

    Dia 14 de novembro:

    Após um curto período de descanso, voltamos ao SWU, obviamente mais cansados do que na noite anterior. Por conta da longa distância entre o nosso hotel em Indaiatuba e Paulínia, chegamos ao festival por volta das 15:30. Por isso, não acompanhamos o show dos Raimundos.

    DUFF MCKAGAN’S LOADED: Quando chegamos a apresentação do Loaded estava quase na metade. Por conta da chuva e do cansaço, nos alojamos na arquibancada coberta, de onde acompanhamos a distância os shows não só do ex-baixista do Guns n’ Roses como os que se seguiram (BRMC, DOWN, 311 e SONIC YOUTH). Como fã do Guns na adolescência, confesso que estava curioso pela apresentação, porém com um pé atrás, pois sabia do gosto de Duff pelo punk rock e hardcore, manifestado em algumas ocasiões mesmo durante sua passagem na banda que o revelou. Exemplo disso foi as escolhas dos covers que Duff fez para fazer parte do disco “The Spaghetti Incident?”, que ficaram entre New York Dolls, Stooges e Misfits. O som autoral de sua nova banda ficou numa sonoridade bem parecida às referências apresentadas por ele no “Spaghetti”. Nada que chame demasiado a atenção. O público recebeu bem as canções do Loaded, mas foi só quando o grupo começou a executar canções do Guns que eles realmente caíram nas graças da galera. Nesse momento Duff trocou a guitarra que toca no Loaded pelo baixo que tocava no Guns e executou “ So Fine” , balada que ele dividia os vocais com Axl, a ótima “Dust ‘n Bones”, “Attitude” (cover do Misfits presente no “Spaghetti”) e “It’s So Easy”. Confesso que o final do show foi um alívio, já que o material da nova banda de Duff McKagan não me agradou em nada. Por ter trazido faixas obscuras do Guns no final do show e por ter tido uma relação muito boa com o público, dou uma nota 6.

    BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB: Ter ido me alojar nas arquibancadas do evento foi um alívio, já que ficar de pé, embaixo de chuva, aturando as bandas que vieram na sequência do Loaded seria uma verdadeira tortura. A primeira a abrir a seção de atrocidades musicais foi a Black Rebel Motorcycle Club. Não se engane com o nome, eles não têm nada que remeta ao Motörhead nem ao Black Label Society. O grupo que se apresentou ali parece mais um bando de adolescentes que tocavam numa garagem úmida até semana passada e que acham que são os novos Stooges, só que com uma atitude de bunda-moles profissionais. Os moleques acharam que distorcer um pouco suas guitarras, cantar com voz esganadas e usar roupas de couro os tornariam os rebeldes da motocicleta. O andamento arrastado de algumas canções foi de dar sono e, por mais que pudesse identificar algumas referências do som setentista, a forma pueril com que tocam me fez ter pena do papel que eles estavam fazendo. A reação do público foi a mais fria possível, fazendo-me pensar: “o que faz um organizador de um festival gastar milhares de dólares para trazer uma banda com nenhum apelo junto ao público brasileiro?”. A única resposta que posso encontrar é que alguma gravadora resolveu investir para tentar criar esse público por aqui. Mas acho que o investimento foi pessimamente empregado. Durante o show, as pessoas que estavam na arquibancada perto de mim se mostraram mais interessadas na gravação do programa de Fernando Caruso (De Cara Limpa, do Multishow) do que no som da banda que tocava. Confesso que também achei muito mais interessante a performance do comediante. Vai levar uma nota 4 para não voltar de mãos vazias.

    DOWN: Um alívio foi dado quando o Down subiu ao palco Consciência. O show da banda de Phil Anselmo (ex-Pantera) foi muito prejudicado por conta da péssima qualidade do som que saia dos PA’s para o público. Para a banda o retorno parecia está bom, já que eles tocaram sem demonstrar maior insatisfação. O público próximo ao palco parecia não se importar muito com isso, já que o som que vinha do palco deve ter dado conta de resolver um pouco do problema. Mas quem estava a distância, como no meu caso, tinha a impressão que o bom baterista Jimmy Bower está batendo em baldes de plástico. O estranho é que ao assistir os vídeos da transmissão da TV o som estava bom. Ainda assim, o show foi interessante. Confesso que não conhecia a banda a fundo e me surpreendi positivamente com o som do grupo. Esperava ver uma banda de trash metal e vi uma boa banda de metal, com forte influência de Southern rock. A energia de Anselmo e seus companheiros atraiu sem dúvida o maior público da tarde. Essa energia se manifestou até em excesso quando logo no início do show o vocalista arrebentou a testa de tanto bater com o microfone na mesma. O grupo esteve conectado com o público o tempo todo, trazendo uma coleção de riffs pesados e de ótima qualidade. O ótimo de trabalho dos dois guitarristas (Pepper Keenan, ex-Corrosion of Conformity, e Kirk Windstein) deixou clara a influência das guitarras gêmeas imortalizada pelo rock sulista de bandas como o Lynynrd Skynyrd. O momento mais emocionante do show se deu quando Anselmo identificou um fã com um enorme logotipo do Pantera tatuado no peito e claramente se comoveu. Os companheiros de Down logo improvisaram um trecho de “Walk”, uma das mais conhecidas faixas do Pantera. Nesse momento o público que já estava na mão da banda foi ao êxtase. Para fechar, o grupo tocou “Stone The Crown”, seu maior sucesso, encerrando muito bem aquele que foi o melhor show da tarde. Nota 7.

    311: O pesadelo da tortura auditiva voltou quando o 311 entrou no palco Energia. Sinceramente não consigo entender o porquê de trazer um grupo como esse para um festival no Brasil, e o pior, coloca-lo para tocar num dia em que nenhuma das demais bandas tem qualquer identidade com a mesma. O som do grupo é tão esdrúxulo que não consigo nem caracterizá-lo direito. Mas eles me pareceram algo como um Limp Bizkit para meninas (de no máximo 12 anos de idade). A mistura de rock e rap, que na minha opinião quase nunca dá certo, no caso do 311 é algo que vai além do constrangedor. O constrangimento vai além quando o DJ – sim, eles têm um DJ – resolve dividir os vocais com o banana do vocalista principal. O tal de S.A. Martinez tem a voz de uma adolescente que acabou de menstruar pela primeira vez. Mas o pior ainda estava por vir, o baterista resolveu fazer um solo que deixaria deuses como Keith Moon e John Bonham se revirando no túmulo. E quando achei que nada poderia piorar, os demais integrantes aparecem “tocando” tambores como se fossem o Olodum com síndrome de down. Um espetáculo patético e totalmente fora de propósito para aquele dia de festival. Eu espero sinceramente nunca mais ter o desprazer de ouví-los. O mais bizarro de tudo é descobrir que esses caras estão na estrada desde 1998 e que aqueles sujeitos todos têm mais de 40 anos de idade. Será que eles não perceberam que já passaram da idade para fazer esse tipo de som? Nota 2, com muita boa vontade.

    SONIC YOUTH: “Nada é tão ruim que não possa piorar”. Maldita hora que Edward A. Murphy enunciou essa lei. Ela está sempre certa! Seguindo a linha dos adolescentes que não perceberam que cresceram, subiu ao palco o Sonic Youth. É certo que os adolescentes do Youth são de outro perfil, do tipo rebeldes-sem-causa que querem chocar a sociedade fazendo algo que acham que vai chocar a sociedade. O problema é que, apesar dos longos anos de carreira, a banda não percebeu que o som que eles fazem ao invés de chocar, irrita. Em matéria de show sonolento, o Sonic Youth ganhou com folga do BRMC e do Peter Gabriel. Eu não tenho outra palavra para adjetivar o show do grupo que não seja: enfadonho. Eu sinceramente já me aborreço só com a atitude do grupo, de se achar o suprassumo da alternatividade. Essa retórica do “não estou nem aí pro mainstream” enche o saco. Isso se reflete na postura blasé da banda no palco, que parece está dando um enorme “foda-se” para os magricelas fanáticos de camisa azul com uma máquina de lavar estampada. Mesmo tocando a maioria dos “hits”, a banda não tirou mais do que meia dúzia de aplausos dos que não vestiam as referidas camisetas. Mas o que mais aborrece são as longas improvisações recheadas de barulhos e microfonias sem qualquer sentido. A soberba do grupo deveria ser combatida com a audição de bons discos do Frank Zappa para que eles entendam o que é fazer uma verdadeira improvisação com sons estranhos. Aquilo que eles fazem é simplesmente o compilado de sons desagradáveis que de maneira nenhuma pode ser tachada de música. Muitos atribuíram a baixa qualidade da apresentação ao clima ruim entre os integrantes do grupo, que estão em processo de separação. Eu atribuo a falta de qualidade mesmo. Sem dúvida foi o pior show que assisti nessa edição do SWU, e darei uma nota 2 só porque seria uma humilhação suprema dar uma nota menor que a dada ao 311.

    PRIMUS: O suplício parecia terminar quando começou o show do Primus. Também não sou fã do grupo, mas tenho que admitir que Les Claypool é um show a parte. A figura do baixista, com uma roupa que mistura um visual de Inspetor Clouseau com Alex do “Laranja Mecânica”, já causa imediata estranheza, que só é superada pelo som que ele produz com o seu instrumento. O virtuosismo non-sense de Les Claypool causa ao mesmo tempo admiração e repulsa, num sentimento difícil de ser descrito, mas que inegavelmente faz atrair a atenção para o palco. A estranheza também está presente nas alegorias do palco (grandes astronautas infláveis) e nas insanas imagens do telão. A apresentação animou os presentes e não era raro ver pessoas dançando ao som do que eu resolvi chamar de “freak-funk”. Ao longo do show, toda aquela loucura começa a cansar, e o virtuosismo que antes encantava passa a parecer excesso de exibicionismo. Confesso que se tivesse sobre efeito de algum alucinógeno teria curtido mais o show. Mas como só estava com algumas cervejas na mente, não consigo dar nada mais do que uma nota 5.

    Megadeth e seu metal no SWU (Gabriel Quintão

    MEGADETH: A espera foi longa e um pouco dolorosa aos ouvidos, mas a partir 21:30 finalmente passaria a acompanhar bandas que tenho alguma admiração ou simpatia. A primeira delas foi o Megadeth, banda que acompanho desde a minha adolescência mas com sentimentos bem ambíguos. Já tive momentos de adorar o grupo, e outros de achar a pior banda de todos os tempos. Atualmente achei o meio termo e consigo ouvir sem nenhum extremismo. Minha expectativa não era das maiores, pois em 2008 vi uma apresentação no mínimo lamentável da banda no Rio de Janeiro. Naquele show, o grupo parecia sem energia, em péssima forma e sem nenhuma cumplicidade com o público. Achei que veria uma repetição daquilo. Mas eis que veio a surpresa: o show foi bem diferente daquele de 2008. O Megadeth pereceu revigorado depois do lançamento dos bem-sucedidos “Endgame” (2009) e “Th1rt3en” (2011), que foram muito bem aceitos pelo público e pela crítica. O novo vigor ficou evidente na apresentação logo de cara, em “Trust”, quando ficou claro que, ao contrário do que havia acontecido no Rio três anos antes, a banda estaria em sintonia com público. A atmosfera era muito boa e a plateia recebeu o grupo de forma muito calorosa. Apesar de um repertório curto, a banda conseguiu passar por todas as fases da sua carreira, desde os clássicos trash, passando pela fase menos pesada do meado dos anos 90, até a apresentação de novas faixas como “Public Enemy No. 1”. Um show sem muitas surpresas, mas que me surpreendeu muito positivamente por ter sido infinitamente superior ao que tinha presenciado em 2008. Parece que o Megadeth reencontrou o rumo. Nota 7,5.

    STONE TEMPLE PILOTS: Sempre tive um pé atrás com o Stone Temple Pilots. A banda nunca me disse muita coisa e som meio hard sujismundo se não me incomodava também não me agradava. Por isso, minha expectativa para o show era baixa. E foi nisso que me surpreendi. A forma abrupta com que Scott Weiland e seus companheiros adentraram ao palco com a vigorosa “Crackerman” fez com que todos começassem a pular insanamente. A partir disso a banda levou o show com surpreendente competência e com a plateia na mão. A apresentação seguiu em alto nível com hits, como “Wicked Garden” e “Vasoline”, sendo intercalados por poucas canções do último disco do grupo. A forma de Weiland merece um comentário a parte. Após a saída do vocalista do Velvet Revolver por conta dos seus problemas com drogas, esperava vê-lo de uma forma meio deprimente. No entanto, Weiland se apresentou em ótima forma, com uma presença de palco bem interessante, com a voz bastante preservada e aparentando estar completamente sóbrio. O show ficou um pouco morno após os primeiros vinte minutos, até que a banda tocasse o seu maior sucesso “Plush” e trouxesse o público de volta para o seu lado de forma definitiva. Dali pro final a banda desfilou mais um arsenal de hits como “Interstate Love Song”, “Big Bang Baby” e “Sex Type Thing”, até fechar de forma bombástica a apresentação com “Trippin’ on a Hole in a Paper Heart”. Vale ressaltar que todas as faixas executadas ao vivo ganharam uma roupagem bem mais interessante que as versões originais de estúdio, com muito mais peso. Surpreendente! Um dos melhores show do SWU 2011. Nota 8.

    ALICE IN CHAINS: A mesma desconfiança que tinha sobre o STP, tinha sobre o Alice in Chains. Nunca fui ardoroso fã das bandas de Seattle, apesar de respeitá-las em sua maioria. Mas o Alice in Chains, de todas, era a das que menos me chamava atenção. No entanto, mais uma vez fui surpreendido com um ótimo show. A minha antipatia pela banda se dava muito por conta de uma certa implicância que tinha com o falecido Layne Staley. Como me identifiquei com o seu substituto, William DuVall, pude examinar o show com mais isenção. DuVall é sem dúvida um bom vocalista e bastante carismático e conseguiu fazer com que os fãs não se sentissem tão órfãos. O público demonstrou muita empolgação com os hits da banda, apesar da chuva intensa que caia naquele momento sobre Paulínia. No entanto, as três faixas do primeiro disco da nova encarnação do grupo (“Back Gives Away to Blue”) foram encaradas com total indiferença. Algumas canções soam um pouco cansativas para o meu gosto e poderiam ser um pouco mais curtas. Mas gostei muito da atuação do guitarrista Jerry Cantrell, que além de executar bons solos se saiu muito bem como vocal de apoio e também como principal. Mike Inez continua com a mesma competência de sempre, aliada a ótima de presença de palco conhecida também por conta de sua passagem na banda de Ozzy Osbourne em meado dos anos 90. Um show em que a banda demonstrou carisma e competência acima da expectativa. Nota 7.

    FAITH NO MORE: A banda que esperava com maior ânsia naquele dia era, sem dúvida, o Faith No More. Ela sempre foi uma das minhas bandas favoritas dos anos 90 e acompanhei o amadurecimento do grupo, que por conta da minha idade, coincidiu também com o amadurecimento do meu gosto musica. O grupo nunca se contentou em ser aquela banda de funk metal que estourou no final dos anos 80 com o “The Real Thing”. Patton e seus companheiros, apesar das inúmeras mudanças de formação, sempre conseguiram fazer bons discos, se reinventando a cada lançamento. Por isso, se tornaram a banda de mil facetas, assumindo a personalidade de seu louco e eclético vocalista – que curiosamente não é membro original do grupo, mas que acabou assumindo o papel de líder. Portanto, nunca pode-se saber o que esperar do Faith No More. Em 2009, tive a oportunidade de assistir a uma apresentação impecável da banda, no Rio de Janeiro, que logo entrou no hall dos meus shows favoritos. As impressões sobre aquele show, deixei em uma resenha que escrevi na época para o Whiplash. Por isso, não poderia deixar de prestigiar novamente a banda. E como previsto, o Faith No More apresentou um caminhão de surpresas. O insano concerto começou com a insanidade do poeta Cacau Gomes, convidado pessoalmente por Patton que tem uma forte ligação com a cultura brasileira. Logo em seguida, a banda trouxe a faixa mais insana – e das menos conhecidas – do “The Real Thing”: “Woodpeckers From Mars”. Logo de cara, eles mostraram para que vieram: ensandecer a plateia. O insano Patton, vestido como um Zé Pilintra, é a essência de um showman: presença de palco impecável, carisma, uma voz privilegiada e, é claro, insanidade. A galera foi a loucura com o hit “From Out of Nowhere”, que foram seguidas da energéticas “Last Cup of Sorrow” e “Caffeine”. O ritmo de insanidade deu uma brecada quando Patton e companhia entoaram a balada “Evidence”, em português, como sempre tentam fazer em países lusófonos. A simpatia de Patton pelo Brasil vai além do esforço em falar a nossa língua. Ele passa longos períodos no Brasil e conhece bastante da nossa música e cultura e tenta sempre incorporar esses elementos em sua arte. A decoração do palco e os figurinos dos músicos, por exemplo, são claramente inspirados na umbanda. Em “Midlife Crisis”, após o público cantar por conta o refrão, o grupo emendou uma improvisação que tentava ser algo como um samba. O ritmo pegado do show era intercalado sempre por baladas como “Easy” (cover dos Commodores). O maior hit do grupo “Epic” – que teve uma recepção extasiada do público – foi seguida por “Just a Man”, acompanhada pelo Coral de Crianças de Heliópolis, que fez um final emocionante para a balada. A banda ainda voltaria ao palco para o primeiro bis programado, no qual executaram uma faixa inédita, que Patton tem dito que é um outtake de “King For a Day” como forma de despistar especulações sobre um novo trabalho. Seguiram-se “Digging The Grave” e o inusitado cover de Burt Bacharach “This Guy's in Love with You”. A banda se retirou uma vez mais, mas todos esperavam mais um bis, que foi cortado por conta de uma queima de fogos, aparentemente fora de hora, de que acabou por encerrar o show antes do previsto. Infelizmente, pois ainda estavam previstas “Stripsearch” e “We Care a Lot”. A ausência das duas canções, no entanto, não fez com que o show não pudesse ser qualificado como excelente, sendo, sem dúvida, o melhor daquele dia. No entanto, ainda fico com o show de 2009 como um dos meus favoritos, principalmente por que naquela ocasião só haviam fãs da banda no local, ao contrário do público do festival que é muito mesclado e as vezes faz parecer que o público é mais frio. Mas com tudo isso, dou uma nota 8,5 para o show, sendo que Mike Patton merece um 10 pelo artista que é. Para definir o show e Patton, só usando mais uma vez a palavra que mais repeti nessa análise: INSANO!

    Podemos dizer que o festival valeu a pena, apesar de muitos equívocos na escalação, em especial na introdução de bandas que não tem o mesmo perfil no mesmo dia. Mas os grandes shows de Lynyrd Skynyrd, Megadeth, Stone Temple Pilots, Alice In Chains e Faith No More, fizeram com que os problemas fossem superados, fazendo valer todo o esforço empreendido não só pelos organizadores, mas pelo público que se dirigiu a Paulínia para prestigiar a edição 2011 do SWU.

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    www.mofodeu.com

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    - Programas sobre os Beatles:

    - Mofodeu #106: Os Beatles em carreira solo
    - Mofodeu #067: The Beatles – “Abbey Road” (40 anos)
    - Mofodeu #068: Versões de Beatles (só outras bandas tocando músicas do Fab Four)
    - Mofodeu #096: Wings (and Paul McCartney): (programa dedicado a banda de Paul pós-Beatles)
    - Mofodeu #059: The Rolling Stones Rock and Roll Circus (com participação de John & Yoko)

    WhoCares: O incrível reencontro de Ian Gillan e Tony Iommi

    Há 27 anos Ian Gillan (DEEP PURPLE, EPISODE SIX) deixava o BLACK SABBATH. Sua passagem pelo grupo deixou um legado de críticas e dúvidas. O disco “Born Again” (1983) foi recebido com frieza e o que poderia ser um encontro histórico hoje em dia não passa de uma curiosidade na carreira dos artistas. Sempre que se fala em Ian Gillan no Sabbath, uma interrogação aparece no rosto de quem ouve a frase. A sensação que se tem é que existe ainda uma dúvida a ser paga pela dupla Ian Gillan e Tony Iommi.

    Pois bem, depois de tanto tempo eles estão juntos novamente, mesmo que eventualmente. Sem a preocupação de se pagar dívidas, eles se uniram a grandes músicos da história do Hard Rock e Heavy Metal em uma causa beneficente: ajudar a reconstrução de uma escola de música, na Armênia, destruída por um terremoto. Entre os convidados estão: Jon Lord (DEEP PURPLE, WHITESNAKE), Nicko McBrain (IRON MAIDEN), Jason Newsted (METALLICA), Linde Lindström (HIM), entre outros.

    O projeto, chamado de WhoCares, resultará em um single CD com duas faixas inéditas compostas exclusivamente para a causa: “Out Of My Mind” e “Holy Water”. O single tem previsão de lançamento para 24 de maio na Europa e 24 de junho na América do Norte.

    No entanto, as duas faixas já estão disponíveis no YouTube. Seguem os vídeos com as canções, os dados de produção, além de uma breve análise sobre cada uma delas.

    01 – “Out Of My Mind”

    
    
    
    
    
    
    

    * Ian Gillan (DEEP PURPLE, BLACK SABBATH) – Vocais
    * Tony Iommi (BLACK SABBATH) – Guitarra
    * Linde Lindström (HIM) – Guitarra
    * Nicko McBrain (IRON MAIDEN) – Bateria
    * Jason Newsted (METALLICA) – Baixo
    * Jon Lord (DEEP PURPLE, WHITESNAKE) – Teclado

    Por mais que Gillan e Iommi não estivessem preocupados em pagar dívidas pode-se dizer que está faixa seria digna de estar em qualquer álbum da discografia não só do Sabbath como também do Purple. A canção tem elementos marcantes da carreira das duas bandas e traz uma fusão de elementos dos grupos que talvez não aparece nem mesmo no primeiro encontro entre os músicos, em “Born Again”.

    Do Sabbath nota-se, a introdução ligeiramente soturna e, como sempre, o riff pesado e marcante. É impressionante como Tony Iommi tem uma fonte inesgotável de riffs maravilhosos. No caso de “Out Of My Mind”, trata-se de um riff absolutamente simples, mas que nem por isso deixa de ser genial, já que é ele leva conduz a faixa de uma maneira em que é quase impossível não se balançar a cabeça. O solo da canção também é um capítulo a parte, com o carimbo de qualidade “Tony Iommi”, porém mais melódico do que o guitarrista costuma fazer em seus trabalhos com o Black Sabbath.

    As características que remetem ao Deep Purple estão ligadas mais aos trabalhos mais recentes da banda do que aos discos clássicos da banda. A música lembra bastantes algumas das canções dos bons álbuns lançados depois de 1996, com Steve Morse na guitarra. A canção tem uma característica bem próxima às do disco “Bananas” (2003), com guitarras marcadas e com peso e com o habitual vocal melódico de Ian Gillan. Esses discos, apesar de serem encarados pelos mais xiitas com preconceitos, revigoraram a banda nos anos 90 e 2000, trazendo uma nova forma de cantar para Gillan. É esse vocal que está em “Out of My Mind”. Quem espera os agudos dos 60 e 70, pode esquecer.

    Outra característica que nos remete ao Purple é o teclado de Jon Lord, que se não está tão marcante como no auge da banda, nos remete um pouco ao que foi feito nos anos 80, especialmente no álbum “Perfect Strangers” (1984). Não, não espere aqueles clássicos duelos entre o órgão Hammond de Lord e a Stratocaster de Blackmore (ou a Gibson SG de Iommi). O que percebemos em “Out Of My Mind” é algo mais básico, mas fundamental para dar corpo à canção.

    Portanto, “Out Of My Mind” pode ser considerado um hard rock com o DNA do Sabbath e do Purple, que poderia completar qualquer um dos álbuns da banda, mas certamente não se tornaria um clássico. É um ótimo trabalho, digno, honesto e por uma boa causa.

    02 – “Holy Water”

    
    
    
    
    
    
    

    * Ian Gillan (DEEP PURPLE, BLACK SABBATH) – Vocais
    * Tony Iommi (BLACK SABBATH) – Guitarra
    * Steve Morris – Guitarra
    * Michael Lee Jackson – Guitarra
    * Randy Clarke – Bateria
    * Rodney Appleby – Baixo
    * Jesse O’Brien – Órgão Hammond
    * Arshak Sahakyan – Solo de Duduk
    * Ara Gevorgyan – Duduk na Introdução

    A segunda canção do álbum é um pouco mais experimental. Trata-se de uma balada com elementos mais sofisticados como a inclusão de instrumentos pouco convencionais como o duduk, um instrumento de sopro típico da região do Cáucaso, de onde a Armenia faz parte.

    Ao contrário da outra faixa, “Holy Water” traz poucas características das bandas clássicas dos idealizadores do projeto. Apesar de uma vigorosa guitarra, a falta do peso habitual quase não nos faz reconhecer Iommi na faixa. Ao invés dos tradicionais riffs arrastados, notamos uma guitarra apresenta maior versatilidade, indo da quase ausência de efeitos a uma distorção moderada. A combinação a guitarra base de Steve Morris, traz uma característica pouco presente nos trabalhos de Iommi.

    Talvez os vocais de Gillan seja o ponto de contato mais próximo da canção com o trabalho do Deep Purple. Apesar de a banda ter se especializado em fazer grandes baladas desde “When I Blind Man Cries” (1971) até “Sometimes I Feel Like Screaming” (1996), nenhuma delas tem as características de “Holy Water”. No caso dessa nova canção, nota-se forte influência da música caucásia não só na incorporação dos instrumentos, mas também na melodia introdutória. Algum ouvinte mais atento pode associar o órgão Hammond bem marcado ao trabalho de Don Airey nas baladas dos dois últimos discos do Deep Purple, como em “Haunted” (Bananas, 2003) ou “Before Time Began” (Rapture of the Deep, 2005), essa segunda no que se refere a sua parte introdutória. Não nego essa semelhança, mas não acredito que esses trabalhos são suficientes para deixar marcas de característica no trabalho da banda.

    Acredito ser “Holy Water” uma boa faixa, porém menos impactante que a primeira. A faixa serve como um justo tributo a ser prestado ao país que Ian Gillan e Iommi prestam assistência desde final dos anos 80, quando promovorem o Rock Aid Armenia. Naquela ocasião a dupla se reuniu para regravar o maior clássico do Purple, “Smoke on the Water”, com a participação de astros como Bruce Dickinson (IRON MAIDEN), David Gilmour (PINK FLOYD), Paul Rodgers (FREE, BAD COMPANY), Brian May e Roger Taylor (QUEEN), Ritchie Blackmore, entre muitos outros.

    Confira:

    Coincidentemente ou não estão previstas para lançamento ainda esse ano uma versão remixada de “Rock Aid Armenia” e uma edição “deluxe expanded” para a primeira parceria entre Gillan e Iommi, o disco “Born Again”, de 1983, do Black Sabbath

    [Resenha de Show] John Fogerty: Clássicos do Creedence revigorados

    Confesso que meu contato com a carreira de John Fogerty pós-CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL era praticamente nulo até ano passado, quando tive contato com o DVD “The Long Road Home: In Concert”, de 2006 (leia a resenha do vídeo aqui). Ao assistir aquele vídeo fiquei muito surpreso por ver um Fogerty em forma e tocando guitarra com um estilo bem diferente ao que o consagrou no Creedence. O show da última sexta, no Rio de Janeiro (Citibank Hall), reforçou a ideia de que ele não é um artista que parou no tempo.

    O leitor mais crítico deverá pensar: “como assim? O cara vive dos sucessos feitos no final dos anos 60 e início dos 70 e não parou no tempo?”. Respondo essa indagação dizendo que mesmo tendo um repertório baseado nos grandes clássicos da banda que o consagrou, Fogerty atualizou a “roupagem” das canções, dando mais vigor àquelas músicas que muitos conhecem desde a infância.

    Prova disso é a formação da banda que vem acompanhando o artista: além do próprio John Fogerty no vocal e na guitarra, o grupo conta com outras duas guitarras (Hunter Perrin e James Intveld), teclado (Andrew Morrison, que também se arrisca no violão em algumas partes do show), baixo (Dave Santos) e bateria (a cargo do ótimo Kenny Aronoff). Ou seja, um grupo bem mais encorpado que a formação clássica do Creedence que contava com apenas duas guitarras, baixo e bateria. Só isso já ajudaria mudar bastante os arranjos dos clássicos, mas como vocês notarão a partir dessa resenha, Fogerty não se contentou com isso.

    Desde a primeira canção da noite – o clássico “Hey Tonight” do Creedence – pode-se notar que o aconteceria naquele show não seria a mera execução fiel de clássicas canções. O peso que a banda com três guitarras trouxe para a faixa, fez com que fãs de Hard Rock, como eu, começassem a abrir sorrisos surpresos.

    O início do show é matador. É simplesmente impossível ficar indiferente a uma sequência de grandes canções do Creedence como:  “Hey Tonight”, “Green River”, “Who’ll Stop The Rain”, “Susie Q”, “Lookin’ Out My Back Door”, “Lodi” e “Born On The Bayou”. A plateia, composta na sua maioria por senhores com mais de 50 anos, voltou aos gloriosos finais dos anos 60 e se divertiou como se estivesse acompanhando a apresentação do próprio Creedence no Woodstock, obviamente que com um pouco menos de intusiasmo e menos aditivos ilícitos (embora se pudesse sentir o cheiro de algumas ervas não convencionais no ambiente).

    A plateia começou a demonstrar que não acompanharia o ritmo do anfitrião da festa quando o mesmo resolveu tocar uma música um pouco menos conhecida da sua banda original. Em “Ramble Tamble” (do “Cosmo’s Factory”, de 1970), boa parte dos presentes se sentou e Fogerty, ao contrário, mostrou que não estava ali para brincadeiras. Ele começou a demonstrar o seu variado repertório de técnicas para tocar guitarra, o que surpreendeu a muitos dos presentes, já que nos tempos de Creedence, apesar da competência, nunca foi um guitarrista virtuoso. Definitivamente Fogerty demonstrava que não tinha parado no tempo.

    Para que a plateia voltasse a entrar em sua sintonia, a banda trouxe mais dois clássicos “Midnight Special” e “Cottom Fields”. A partir daí, Fogerty começou a intercalar músicas da sua carreira solo com clássicos do Creedence. Aliás, deve-se destacar a habilidade do artista em compor o set list. Ele não deixou de trazer composições mais recentes como “Hot Rod Heart” (do “Blue Moon Swamp”, de 1997) e “Don’t You Wish It Was True” (do “Revival”, de 2007), nunca deixando a plateia ficar alheia ao espetáculo, trazendo logo em seguida, clássicos como “Have You Ever Seen The Rain?”.

    Uma das surpresas da noite ficou pelo cover de “Oh, Pretty Woman”, composição de ROY ORBISON. O peso com que a banda tocou a canção fez com que a música lembrasse mais a versão do VAN HALEN do que a versão original.

    Seguiram-se mais algumas canções do Creedence: “Up Around The Bend”, “Keep On Chooglin’” e “Down On The Corner”, mais uma vez intercaladas com canções solo. Desta vez, Fogerty trouxe duas canções do seu álbum solo mais bem-sucedido dos anos 80, “Centerfield”: “Rock and Roll Girls”, a faixa-título, e “Old Man Down The Road”. Particularmente, considerei essa parte do show o ponto fraco. Esse disco traz os exageros  das produções daquela década e, especialmente, “Centerfield” é uma canção indigna da carreira do artista.

    O primeiro set foi encerrado com mais dois grandes clássicos do Creedence: “Bad Moon Rising” e “Fortunate Son”. O público delirou e Fogerty se retirou com os seus companheiros com gritos que pediam a sua volta. O pedido não demorou a ser atendido e eles voltaram ao palco para executar a canção mais popular da carreira solo do artista: “Rock All Over The World”, do disco “John Fogerty”, de 1975.

    Para encerrar a noite inesquecível de rock, mais um clássico: “Proud Mary”, do segundo disco do Creedence, “Bayou Country”, de 1969.

    Acredito que todos que deixaram o Citibank Hall na noite de 6 de maio de 2011, saíram com o sentimento de que presenciaram um grande show. Talvez muitos tenham se surpreenderam com a forma e o vigor de Fogerty no palco. A voz do artista parece ter sido preservada em formol e sua forma de tocar parece em grande evolução. Garanto que foi impossível não se satisfazer ao ver grandes clássicos do Creedence com uma roupagem moderna e revigorada.

    Mais fotos aqui.

    Set-list:

    1. “Hey Tonight”
    2. “Green River”
    3. “Who’ll Stop The Rain”
    4. “Susie Q”
    5. “Lookin’ Out My Back Door”
    6. “Lodi”
    7. “Born On The Bayou”
    8. “Ramble Tumble”
    9. “Midnight Special”
    10. “Cotton Fields”
    11. “Hot Rod Heart”
    12. “Don’t You Wish It Was True”
    13. “Have You Ever Seen The Rain?”
    14. “Oh, Pretty Woman”
    15. “I Heard It Through The Grapevine”
    16. “Up Around The Bend”
    17. “Keep On Chooglin’”
    18. “Down On The Corner”
    19. “Rock And Roll Girls”
    20. “Centerfield”
    21. “The Old Man Down The Road”
    22. “Bad Moon Rising”
    23. “Fortunate Son”

    Bis
    24. “Rockin’ All Over The World”
    25. “Proud Mary”

    John Fogerty no Brasil

    Ex-integrante da banda Creedence Clearwater Revival, John Forgety faz pela primeira vez turnê na América do Sul e chega ao Brasil para cinco apresentações.

    Com realização da TIME FOR FUN, a turnê brasileira passará pelas seguintes capitais: Rio de Janeiro (Citibank Hall – 06/05), Belo Horizonte (Chevrolet Hall – 07/05), Curitiba (Teatro Positivo – 08/05), além de duas apresentações em São Paulo (Credicard Hall – dias 10 e 11/05).

    Clientes Credicard, Citibank e Diners contam com pré-venda exclusiva entre os dias 28 de março e 03 de abril. O público em geral poderá adquirir ingressos a partir de 04 de abril. Pré-venda e venda acontecem nas bilheterias oficiais dos shows, pelo telefone 4003-5588 (válido para todo o País), pelo site www.ticketsforfun.com.br e nos pontos de vendas espalhados pelo Brasil.

    Fogerty alcançou a fama como vocalista, compositor e guitarrista do Creedence Clearwater Revival e, a partir daí, passou a subir nas paradas com sua carreira solo. Nascido em Berkeley, Califórnia, Fogerty o Creedence Clearwater Revival em 1968. Com a banda, eles lançaram nove Top Ten singles, entre eles Proud Mary, Born on the Bayou, Have you Ever Seen the Rain. Sucessos esses todos escritos por Fogerty, que permitiu ao grupo conquistar oito discos de ouro entre 1968 e 1972. Em 1993 foram incluídos no Rock and Roll Hall of Fame.

    John Fogerty lançou-se em carreira solo em 1973, e desde então já lançou mais de dez discos e inúmeros hits como The Old Man Down The Road, do disco Centerfield, lançado em 1985. Também foi indicado ao Songwriters Hall Of Fame, em 2005, e em 2009 ganhou o prêmio pelo conjunto da obra pela Americana Music Association.

    Mais informações: TIME FOR FUN

    [Resenha de Show] Glenn Hughes no Rio (17/12/2010)

    O MOFODEU completou nesse ano o seu terceiro aniversário. O primeiro show que cobrimos depois de inaugurar o programa foi o de Glenn Hughes no Circo Voador, no dia 28 de outubro de 2007. Na “resenha” sobre aquele show (que pode ser lida aqui) utilizei os adjetivos “incrível”, “inesquecível”, “excelente”, “vigoroso”, entre outros, para tentar descrever a experiência. Passaram-se mais três anos, e a experiência se repetiu, na última sexta-feira, na Ilha dos Pescadores, e mais uma vez terei que repetir tais adjetivos.

    Muita coisa mudou nesses três últimos anos, principalmente na minha forma de se apreciar um show. Como podem notar na primeira “resenha”, o lado fã transparece de uma maneira efusiva e a empolgação por estar diante de um ídolo pela primeira vez é evidente. O estilo irônico e quase irresponsável na análise daqueles fatos também são pontos que não se pode esconder naquele texto.

    Apesar de um pouco menos irresponsável, continuo, no entanto, um apaixonado pela música e por grandes artistas de que marcaram a história do Rock. Os leitores que já se depararam com minhas análises devem ter notado que nunca me revisto de uma pompa de crítico para denegrir a imagem de grandes nomes, nem uso da soberba de muitos para achar defeitos em tudo que presencio num espetáculo. Ao contrário, a paixão pela música é a principal marca do meu texto.

    Por isso, não há como não falar apaixonadamente do que presenciei no último dia 17 de dezembro. Estive diante de um grande nome da história do Rock que, apesar de pouco lembrado, foi responsável por grandes inovações no Hard Rock. Glenn Hughes foi pioneiro em introduzir no rock pesado levadas com swing típico do soul, do rhythm and blues e do funk. Apesar de ser britânico e branco, Hughes parece ter sua alma nascida no Tennessee, no berço de uma família pobre descendente de escravos africanos que fizeram a América crescer com seu suor e sangue. Não tivesse ele nascido na terra da Rainha, talvez tivesse conseguido um contrato com a Motown nos anos 1970.

    Se o Funk Rock introduzido pelo Trapeze (banda da qual Glenn Hughes foi fundador) não transformou a história da música, foi importante por seu lado inovador e experimental. Essa característica marcaria a carreira de Hughes, sendo sempre a sua marca registrada nos seus vocais e na sua maneira de tocar contrabaixo.

    Essa característica foi responsável pela radical transformação no som de uma das mais conceituadas bandas de Hard Rock setentista, o Deep Purple. Após sua entrada no grupo, em 1973, o mundo conheceu um pouco do Funk Rock, antes restrito ao underground.

    Por essas e outras é fascinante estar diante de uma figura como essa. Apesar de estar no local inadequado, com uma plateia em número restrito e com o som indigno de sua magnitude, é impossível sair do show de Glenn Hughes sem ter a alma lavada.

    Para a apresentação na Ilha dos Pescadores, Hughes contou com a ajuda de sua banda de apoio para a sua carreira solo, que conta com Søren Andersen (guitarra), Anders Olinder (teclados) e Pontus Engborg (bateria). Se o grupo não está à altura dos grandes nomes que estiveram ao lado do vocalista/baixista, tampouco se pode dizer que se trata de meros incompetentes. Os músicos, ao contrário, trouxeram uma sonoridade bastante interessante para a apresentação, com um peso “metaliano” que fez um ótimo contraste com o swing do baixo e da voz de Hughes.

    O show começou com a “Muscle and Blood”, um hard rock tipicamente oitentista com um riff pegajoso, herança da parceria de Hughes com Pat Thrall. Com peso dado pelo seu grupo de apoio, a canção ganhou uma roupagem bem mais interessante.

    O funk rock tomou conta do ambiente quando Hughes e companhia retomaram a primeira canção do Trapeze da noite: “Touch My Life” (do álbum Medusa, de 1970). Logo depois o pequeno público presente explodiu pela primeira vez, com “Sail Away”, um dos destaques do clássico Burn (1974), do Deep Purple.

    A relação de Glenn Hughes com a plateia merece uma consideração especial. O artista parece ter o público na mão o tempo inteiro. A intimidade que ele cria com os espectadores faz com todos mantenham-se conectados com o palco de uma maneira quase que transcendental. A admiração estava nos rostos dos poucos felizardos que participaram daquele momento.

    Toda essa admiração foi recompensada com mais uma canção do Trapeze. “Medusa”, que dá nome ao álbum de 1970, foi recentemente regravada pela banda Black Country Communion, projeto de Hughes com o guitarrista Joe Bonamassa, o baterista Jason Bonham e o tecladista Derek Sherinian. A versão executado aqui no Rio se assemelhou muito com a que saiu no disco Black Country, lançado nesse ano.

    Em seguida vieram dois petardos de sua carreira solo: “You Kill Me” (The Way It Is – 1999) e “Can’t Stop the Floor” (Building the Machine – 2001). Essa última canção, na minha opinião, um dos melhores trabalhos realizados por Hughes em seus projetos solos.

    O Deep Purple voltou a ser lembrado com o melancólico blues “Mistreated”. A participação do público, cantando a canção, pareceu surpreender os músicos da banda. O local pequeno favoreceu que o uníssono da plateia entoando tomasse grande vulto, deixando Hughes e seus companheiros visivelmente emocionados.

    Logo após esse momento de êxtase, veio outro: “Keepin’ Time”, uma obra-prima do álbum You are the Music… We’re Just a Band (1972). Mantendo o nível de empolgação nas alturas, seguiu-se “Stormbringer”, faixa-título do álbum de 1974 do Deep Purple, que fez o público fazer a pequena casa de espetáculo tremer. A primeira parte do show foi encerrada com “Soul Mover”, do álbum solo de mesmo nome, de 2005, que com seu refrão fácil, fez com todos os presentes cantassem em plenos pulmões.

    Os músicos deixaram o palco por poucos minutos e, quando voltaram, trouxeram a poderosa faixa “Addiction” (que dá nome ao fraco álbum solo de 1996). Para encerrar, com chave de ouro, o que a maioria do público esperava: “Burn”, do Deep Purple. Os comentários sobre a reação dos presentes é dispensável.

    A apresentação de Glenn Hughes no Rio só faz reforçar a ideia de quem tem acompanhado a carreira do músico nos últimos anos: a de que ele está em plena forma. Os seus trabalhos solos lançados na última década são prova disso. Além disso, o recente lançamento de Black Country mostra que o artista ainda tem muita lenha pra queimar.

    O local escolhido para o show demonstrou ser inapropriado. Além do difícil acesso, o local é demasiado pequeno e com uma acústica bastante prejudicada. Em algumas partes do show foi difícil compreender o que o cantor pronunciava, problema esse percebido pelos demais músicos que a todo momento sinalizavam para os técnicos com o intuito tentar solucioná-lo. Por outro lado, o pequeno espaço tornou o espetáculo mais intimista, reforçando a relação entre o artista e a plateia.

    Vale ressaltar o empenho da produção do evento em trazer o artista ao Rio, mesmo sabendo das dificuldades de encontrar um local adequado para o mesmo e da carência de público para espetáculos desse tipo na Cidade Maravilhosa. Imagino que a Ilha dos Pescadores foi a solução encontrada pelos responsáveis pelo evento, e esse esforço é digno de elogios e não de críticas.

    Em suma, as qualidades do show superaram todos os problemas e mais uma vez, as palavras para descrevê-lo não são outras senão: “incrível”, “inesquecível”, “excelente”, “vigoroso”, etc.

    Set list:

    Muscle and Blood
    Touch my Life
    Sail Away
    Medusa
    You Kill Me
    Can’t Stop the Flood
    Mistreated
    Keepin’ Time
    Stormbringer
    Soul Mover

    BIS:
    Addiction
    Burn

    Paul Di’Anno no Brasil

    Paul Di’Anno, vocalista original do IRON MAIDEN, estará no Rio de Janeiro na próxima quinta, dia 26.

    Confirma detalhes sobre o show:

    http://lh5.ggpht.com/_iNBQUmomny0/THMSuJpJ1dI/AAAAAAAAAHs/jfMW97aZh34/s512/paul%20orkut.jpg

    Além do Rio, Paul Di’Anno estará em turnê pelas seguintes cidades brasileiras:

    AGOSTO
    27, sexta – Pouso Alegre/MG @ Clube de Campo Fernão Dias (at Triumph of Metal Fest)
    28, sábado – Cachoeiro do Itapemirim/ES @ Pavilhão de Eventos Ilha da Luz
    29, domingo – Juiz de Fora/MG @ Cultural Bar

    SETEMBRO
    02, quinta – São Paulo/SP @ Manifesto
    03, sexta – Leme/SP @ TBA
    04, sábado – Novo Horizonte/SP @ Experience Rock Bar
    05, domingo – Sorocaba/SP @ Plaza Hall
    06, segunda – Santos/SP @ TBA (com Velhas Virgens)
    07, terça – Guarulhos/SP @ Rancho (com Shaman e Bittencourt Project)

    Produção: Abstratti

  • Ouça o MOFODEU